SELEÇÃO DE DECISÕES

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Processo:
0053242-15.2025.8.16.0182
(Decisão monocrática)
Segredo de Justiça: Não
Relator(a): Rafaela Zarpelon
Juíza de Direito da Turma Recursal dos Juízaados Especiais
Órgão Julgador: 4ª Turma Recursal
Comarca: Curitiba
Data do Julgamento: Fri Mar 06 00:00:00 BRT 2026
Fonte/Data da Publicação:  Fri Mar 06 00:00:00 BRT 2026

Ementa

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE. REDISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. MERA IRRESIGNAÇÃO. EMBARGOS REJEITADOS. I. CASO EM EXAME 1. Embargos de Declaração opostos por ELIANE PEREIRA DOS SANTOS contra o julgamento do Recurso Inominado, o qual deu parcial provimento ao apelo do Estado do Paraná e reformou parte da sentença de primeiro grau, alterando a correção monetária que deve ser aplicada sobre a condenação. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. A questão central consiste em definir se há omissão, contradição ou obscuridade na análise do Recurso Inominado realizado pela Relatora na análise do recurso apresentado pelo embargado, que resultou na reforma parci al da análise de mérito realizada pelo juízo a quo. III. RAZÃO DE DECIDIR 3. Recebo os presentes embargos, posto que tempestivos. No mais, estão presentes os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual devem ser conhecidos. Entretanto, não merecem prosperar, vez que não se vislumbra qualquer das hipóteses previstas no artigo 1.022 do Código de Processo Civil (obscuridade, contradição, omissão ou erro material) que deem ensejo a alteração do decidido pela Relatora monocraticamente. Ademais, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou no sentido de que “Não se configura a ofensa ao art. 1.022 do Código de Processo Civil quando o Tribunal de origem julga integralmente a lide e soluciona a controvérsia. O órgão julgador não é obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pelas partes em defesa da tese que apresentaram. Deve apenas e nfrentar a demanda, observando as questões relevantes e imprescindíveis à sua solução” (STJ, EDcl no AgInt no REsp 1802742/PB, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 24/01/2021, DJe 01/03/2021). No caso dos autos, houve manifestação clara acerca da nulidade das contratações firmadas entre as partes, limitado ao período discutido na inicial (24.03.2014 a 31.12.2018), que resultou na condenação do embargado ao pagamento dos valores referentes ao FGTS. Logo, inexiste motivo para acolher a tese da embargante, eis que a decisão do julgador é limitada ao apresentado em juízo pela parte, inexistindo motivo para analisar requerimento fora dos limites da lide (declaração de nulidade do contrato vigente). IV. DISPOSITIVO E TESE 4. Recurso conhecido e rejeitado. Tese de julgamento: 4.1. Os embargos não merecem acolhimento, na medida em que não visam suprir qualquer omissão, contradição ou obscuridade, tendo nítido fim de revisão do julgado, não sendo meio para tanto. 4.2. Por fim, ressalta-se que o artigo 1.026 do Código de Processo Civil determina a imposição de multa para Embargos Declaratórios meramente protelatórios, que será de 1% sobre o valor da causa, porém, se a parte, novamente, tentar apresentar Embargos Declaratórios com esse fim, a multa se eleva para 10% sobre o valor da causa, além da proibição de que a parte interponha qualquer outro recurso antes da comprovação do pagamento da multa. 4.3. Dispositivos relevantes: CPC, artigos 1.022, 1.024, §2°, e 1.026.